14 de fevereiro de 2011

Google Street Art View

Quando o Google lançou o Street View, eu torci o nariz. Não pra tecnologia em si, mas para o uso lascivo que logo iria surgir. Torci porque acredito que o limiar entre tecnologia e privacidade muitas vezes se perde no meio do exibicionismo social.

A ressalva são as formas como podemos usar as oitavas, nonas e décimas maravilhas desse mundão geek sem porteira. Entre tantas cenas toscas, engraçadas, curiosas e dignas de vergonha alheia captadas por este decente país afora, uma empresa resolveu enxergar oportunidade e lançar uma plataforma digna de inovação.

A Red Bull montou o Street Art View, um site participativo que permite ao usuário ver as artes de rua pelo mundo e também cadastrar alguma que o próprio conheça. Ideia simples e alinhada ao valor da marca.

Exposição mundial de arte. Custo zero.

Dá para escarafunchar muita coisa aí e, dentre os autores, achei Keith Haring por acaso. Bem, talvez não por acaso se levarmos em consideração o seu reconhecimento no mundo da arte gráfica que eu desconhecia até então. A coincidência ficou mesmo por conta de eu ter visto uma exposição dele neste fim de semana quando perambulava à toa pela Paulista.

Mas voltando ao foco, não vamos ser hipócritas e dizer que um leigo ficaria horas aí fuçando todas as imagens, nem que eu quisesse, teria esse tempo. O cerne da questão é a iniciativa da marca em tomar partido de uma tecnologia recente e gerar conteúdo focado. Mandaram bembagarai.

Red Bull dá asas à imaginação. JB, Rio de Janeiro.

Mancebinho, não tô dizendo que o artista desta obra aí tomou um Red Bull pra turbinar a imaginação, porém é quase inevitável que o nosso cérebro faça uma associação da arte à ideia que temos da marca... catch the point!

De vexame alheio à ação de marketing. O limite da versatilidade de uso está nos olhos de quem não vê. 

13 de fevereiro de 2011

De domingo

Responda rápido: como você se sente vendo Zorra Total sábado à noite?
Né, não dá. Já sabemos os efeitos colaterais danosos causados ao corpo humano e por isso nosso cérebro evita essa situação da mesma forma que nos avisa parar de passar o dedo na chama da vela: “isso não vai acabar bem ”.

Agora, demos mais um passo e caímos no Domingo. Pense rápido, qual outro programa de TV vem a sua mente? Sim, é dele que estamos falando. O programa do Faustão me desperta o mesmo alarde que o do Zorra Total. Pra mim, ambos funcionam como um aviso de abismo sem retorno. É simples, direto e fatal. Você já está ferrado. Poderia ter evitado, mas está lá absorto pelo caminho.
A diferença é que, cá na realidade, antes da placa de abismo, há várias outras indicadoras pra te possibilitar mudar o rumo. A escolha fica a cargo do motorista, mas o espada ignora. 

Viabilidade econômica de produto de massa à parte, o que me faz torcer as tripas com esse tipo de programa é a mensagem subliminar entre as filmagens, dizendo algo mais ou menos assim:


E aí mané, beleza? Então o seu dia de descanso chegou depois da semana inteira ralando no trabalho pra pagar a conta de energia elétrica. Haha você é um grande idiota, parabéns. Fique aí mesmo deitado assistindo toda essa baboseira e comentando como vida alheia lhe parece ser bem mais interessante que a sua. Você até poderia estar fazendo algo mais interessante, mas a predileção pela banalidade fala mais alto. Melhor manter a cabeça no stand-by a ter que colocar a engrenagem pra funcionar .  Talvez tenha mais gente aí por perto né, também assistindo, e vocês só se falam para trocar comentários sobre o programa. Que convivência de merda. Amanhã cada um retorna ao seu trabalho ou estudo reclamando como não sobra tempo pra nada. Bem, vocês fazem por merecer . O que nós achamos ótimo, pois assim a audiência por aqui continua correspondendo às expectativas do nosso ROI. Caso vocês descobrissem o que há aí do lado de fora da janela, a brincadeira iria acabar. Então que tal mais um intervalo comercial pra você poder ir ao banheiro? Até o próximo bloco!

Pessoal entretido

Esse daí foi o lado endiabrado da minha consciência fazendo as vezes por aqui, porém há de se dizer que o inconformismo com a bunda no sofá ataca até o anjo de candura que neste corpo habita. Mas calma, não vamos culpar o pobre sofá. O meio pouco importa, o que vale é o uso que se faz dele. 

Não é necessário fazer de cada fim de semana uma vivência espetacular. Afinal até um certo cara descansou no sétimo dia depois de tanta labuta civil. Ficar em casa e jogar as pernas pro ar é uma delicia merecedora. O problema é quando, junto com as pernas, você joga todo o resto pro ar. As boas conversas, os chamegos preguiçosos, as mesas de café da tarde com a família ou de buteco com os amigos, como quiser. Tudo pro saco. Cada um acomodado num canto da sala olhando pra TV feito peixe de aquário, sem ter pra onde ir e achando que o mundo é aquilo mesmo. Nem um filmezinho pra contar história.

Eu já vi muitas vezes essa cena acontecer na minha realidade. E já fui coadjuvante também. Em todas as situações, há aquela sensação detestável de dia perdido. Mas com a percepção um pouco mais apurada, dá pra passar de espectador a protagonista e somar os domingos vividos no calendário.

8 de fevereiro de 2011

Ele que via

E então ele viu. Ele viu de uma só vez tudo o que já disseram. Tudo o que ela deveria saber. O que ela sabe e cisma em esconder. Nem precisou muito, bastou um olhar de lado e ele logo viu. Tampouco de espelho. Não ele. Talvez ela. Ele viu toda a graça e ele achou graça. Viu o sorriso, o jeito de mexer no cabelo. Logo ele que nunca tinha visto. Logo ele que pouco sabe. Ele viu e fez questão de mostrar, e ela entendeu o quão cega era, mas só fingia ver. Ele não estava nem aí. Ele via tudo muito simples, via melhor que quem já tinha visto. Ele não se gabava de si. Ele se gabava dela. Ela era demais. Ele achava que ela também via, mas nisto, somente nisto, ele estava enganado. Ele não via que ela não via até o momento de ele ver. Pena, ele se irritou. Mas ainda assim ele via além. E ele era paciente com ela. Ela não. Nem com ela nem com ele. Ela se perdia no emaranhado da sua cegueira. Ela não via o essencial, era invisível. Ela só sabia ver com os olhos. Logo ela que tanto sabe. Mas ele estava lá vendo todo o tempo.  Ele não se importava, só via. E o engraçado é que eles não se viam, só falavam. Como, então, ele podia ver? Mas ele sabia. Ele estava lá o tempo todo. Ele a via em outras sem vê-la. Só ela. E ela não via. Ela não sabia. Então começou a se cansar de ver. Ele estava vendo o que não queria, ficou tudo mais claro do que deveria. Ela queria tanto que ele visse. Ela não sabia. Ele viu tudo e começou a não ver mais. Ele viu tanto que se ofuscou. Ela não entendia. Ela queria ver. Ele não. E quanto mais ela tentava, mais ele se ofuscava. Ele já tinha visto demais. Ela perdeu a hora de ver. Ele a perdeu. Então eles se perderam uma última vez. Eles não viam mais nada. Daí ela entendeu. Ela viu. Ele passou para avisar que via. Ele passou como alguém que passava por ela para avisar que a chave ia cair do bolso de trás da calça. Ele avisou para ela não perder. Ele avisou para ela ver. Ele se foi. Hoje ela vê. E eles, não mais se vêem. Do mesmo jeito que nunca se viram.

27 de janeiro de 2011

Lar novo lar

Depois de um longo período tentando me acertar com algum template no mínimo decente, resolvi criar um layout que desse para o gasto e voltar a escrever.

Tio Jobs certa vez disse em um de seus discursos Applenianos: "concentre-se no que você é bom, delegue o resto". Eu não deleguei nada, teria que pagar pra isso e sou pão dura. Migrei do Wordpress para o Blogger que tem uma plataforma mais simpática com os leigos em html, css e afins.

Sem mais firulas, o blog vai funfar agora! Tem gente me cobrando há meses e mandei logo um inseticida na procrastinação. 

Nada como uma mudança!

Há textos antigos aqui cujo conteúdo e estilo são verdadeiramente duas bostas. Mas eles vão ficar aí. São garranchos do primeiro caderno de caligrafia e não menos importantes. Li muitos blogs no último ano que me ajudaram a ter uma visão menos clichê, o que não me impede de cometer deslizes. Li sobre gente que tá aí se jogando por entre os concretos da cidade e vi que a selva de pedra também tem seu valor.

No mais, a casa vai se ajeitando, ganhando decoração, cores e visitantes, assim espero! :)






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