19 de julho de 2011

Quem poderá nos salvar?


Da porta pra fora, quem se garante?

Pensa na cena. Férias de julho, fim de tarde, casa de vó, conversinhas despretensiosas enquanto espera a máquina de waffle bajular nossa gula. A vida é boa né não? E fica ainda melhor quando sua vó coloca três waffles em perfeito estado de matéria na sua frente com um império de requeijão e manteiga pra você se jogar. Pois bem, tava ali celebrando toda a sorte de pecados capitais quando veio a dúvida atroz, porém necessária: vó, pra quem a senhora vai dar essa belezura dessa máquina de waffle?? Sei não filha, tá sem pretendentes. Jura? Tô me candidatando então tá. Tá.

Tempo passa, acaba férias de julho, acaba fim de tarde, casa de vó fica a 700 km, só pra entretenimento imaginário, acaba vidão. Oh dó! Que hacer ahora José? Eis que vó vem à capital. Esqueci de dizer que vó, além de fazer o melhor waffle do mundo, é despachada, moderna e usa MSN. E você aí da década de 80 se achando muito atualizado. Vó passeando pela minha modesta moradia se solidariza com a inanição de guloseimas. Pobre neta sem waffles! Vó então diz que vai antecipar a herança e providenciar o transporte da máquina da felicidade. Meses depois a tão esperada encomenda chega. E mais, veio com receita. Sabe como é, coisa lendária aprimorada por anos, pra fazer Ana Maria Braga largar carreira artística, botox e ir morar numa casinha de sapê no interior. Até aí tudo lindo. Problema é que o talento não veio junto com a entrega do correio. Neta faz a receita, coloca a massa na máquina, espera mágica, mágica falha. Massa escorre pelos lados, gruda, queima na lateral, miolo fica cru, máquina cospe fumaça, cozinha embaça. Todo um dom especial pra desastres envolvido. 


E o que era pra ser um belo café da tarde de um gostoso domingo de inverno, vira essa cena lamentável. Vira neta desesperada achando que vai botar fogo na casa e pensando no carro de bombeiros embaixo do prédio, multidão se aglomerando na rua e ela se justificando pras roomates “olha, era pra ser pra um waffle, não um incêndio, mas eu tirei as roupas do varal e salvei as plantas, vai ficar tudo bem”. Gente, um waffle. Vamos refletir. Que é que custa pro bendito dar certo? Por que intuição falha quando passa na porta da cozinha? Alô Amélia, telecurso 2011 djá! Não é possível, eu já tive mais dignidade com uma panela na mão. Prova que meu macarrão carbonara nunca matou ninguém. Até onde eu saiba.

Mas aí vem um waffle de receita espiritualmente patenteada e prova que você é um mero embrião gastronômico comparada à sua vó. Detalhe, com chances ínfimas de evolução. Porque né, convenhamos, as espécies antes tinham muito mais tempo pra se aprimorar e deixar Darwin feliz. No meu caso, Murphy fica com todos os créditos. Eu só penso no que vai ser da minha neta. Talvez ela encontre um final feliz no setor faça-você-mesma do supermercado. Caso contrário, a máquina de waffle vai estar lá, pronta pra batalha final. E como boa vó, eu vou estar lá, rezando. Apoio moral é tudo minha gente.

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